Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência em Libras produzida pela Filmes Que Voam

Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência em Libras produzida pela Filmes Que Voam

 

A Filmes Que Voam entra na segunda fase (edição) de um dos seus trabalhos mais importantes no campo da acessibilidade: a tradução em video na Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS), para a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR), por meio de projeto de cooperação com a Unesco, da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, incorporada à legislação brasileira no ano de 2009. O material será disponibilizado (em DVD e pela internet) no segundo semestre deste ano. Além da Convenção da ONU,  também será disponibilizada a tradução do  Prêambulo da Declaração Universal dos Direitos Humanos” e outros textos de caráter legal.
Ana Jung, tradutora e intérprete de Libras (Ouvinte)

A tradução foi realizada e gravada em Florianópolis, por uma equipe de seis profissionais. Leia a seguir a entrevista com a Coordenadora da Equipe de Tradutores e Intérpretes da Língua Brasileira de Sinais (TILs), Ana Paula Jung, Pedagoga especialista na área da surdez.


–Filmes Que Voam: Como foi a experiência de traduzir a Convenção?

ANA PAULA JUNG – Fazer parte desta equipe é um desafio de grande responsabilidade, porque estamos traduzindo um dos principais documentos de empoderamento da comunidade surda nas lutas por uma educação bilíngue e pela valorização da Língua de Sinais.

Avalio que estamos sendo partícipes de uma construção histórica, que apresenta a excelente qualidade, com uma sinalização em LIBRAS muito boa,  dentro dos propósitos do texto.

 

–Filmes Que Voam:  O quê foi o mais difícil no trabalho?

ANA PAULA JUNG – Pensar em um formato tradutório inovador e buscar alternativas para não deixar o texto em LIBRAS ficar cansativo.  Usamos grupo mais numeroso de TILS, evitamos fugir do padrão de cor nas roupas, na montagem vamos usar elementos que possam dar ritmo. Isso demanda uma dose de coragem de nossa parte porque aperfeiçoamos os padrões atuais, em minha opinião, um pouco ultrapassados. E também as próprias escolhas tradutórias, feitas com o princípio segundo o qual o material deve ser compreensível de norte a sul do Brasil, por surdos das diferentes regiões brasileiras, de diferentes realidades, com diferentes usos regionais da LIBRAS. É uma tradução complexa, de um texto cujo conteúdo tem um peso social, político e jurídico importante e denso, e está inserido na Constituição Federal com status de ementa constitucional.

 

Filmes Que Voam: O quê os tradutores esperam do resultado?

ANA PAULA JUNG– Esperamos que os surdos brasileiros possam se apropriar do conteúdo da Convenção da ONU de maneira plena, tendo sua primeira língua respeitada por um texto que remete às questões de direito e que envolvem questões essenciais da vida humana.



Veja também:



Publicidade
Top