Acessibilidade e o mercado publicitário: 20 milhões de oportunidades

Acessibilidade e o mercado publicitário: 20 milhões de oportunidades

imagem ilustrativa: cadeiras de cinema vazias, com pública ao fundo em arquibancada

Quando se trata de acessibilidade, o pessoal do mercado – ou a turma da propaganda, de eventos e da comunicação de produtos – está perdendo uma ótima oportunidade de ver os resultados de duas palavras que tanto amam: inovação e lucro.

Muitas empresas, e não só agências de propaganda, mas também aquelas que organizam eventos e festivais de cinema, cometem erros básicos que são resultantes da falta de informações das suas equipes, inclusive dos executivos e diretores, quase sempre muito tímidos no que se refere à acessibilidade. 

O primeiro erro é desconsiderar, ainda no início das campanhas publicitárias ou dos eventos, um gigantesco grupo de consumidores. Ainda que  desde o IBGE de 2010 – ou quase uma geração de adultos! – não tenhamos dados precisos, é possível considerar, pelas informações existentes, que no Brasil existem entre 15 a 20 milhões de pessoas surdas e ensurdecidas e cegas ou com baixa visão. Não é nada não é nada, é muita gente para ignorar em qualquer iniciativa de propaganda ou comunicação, porque toda essa gente consome produtos e serviços, e está em praticamente todos os lugares – na escola, no supermercado, na TV, na internet…

O segundo erro é AINDA tratar surdos, cegos e pessoas com outras deficiência com o coitadismo de superação,  muito comum nos telejornais: “mesmo cega, ela criou três filhos”, ou “apesar de surdo, ele terminou a faculdade”, e assim por diante. A maioria dos cegos e surdos detesta esta abordagem porque novamente os exclui e os trata como pessoas que antes de tudo precisam de compaixão e assistência, e não de espaço, do cumprimento das leis e daquilo que a Convenção Internacional Sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência, da Unesco, recomenda: a eliminação dos guetos, para que cegos e surdos interajam e se relacionem cotidianamente com qualquer pessoa na sociedade.

“Legalismo” ou qualidade do trabalho?

Depois, tem as gambiarras da equipe de comunicação: só aos 40 do segundo tempo vem o produtor desesperado porque “precisa” entregar o produto acessível ou realizar o evento e não sabe como fazer. E lá vai o assistente ligar para o estúdio de som para ver se eles tem alguém para fazer a audiodescrição, e corre na escola do sobrinho porque ouviu falar que lá tem um intérprete de Libras que pode ajudar. Usar equipes despreparadas é só desperdício de tempo e dinheiro e, pior, gera riscos de cometer gafes e falhas graves. Por mais talentosos que sejam dubladores e locutores de estúdios,  se eles não estudaram a técnica, que é praticada e aperfeiçoada há décadas, os cegos não vão entender nada do que improvisarem. Do mesmo modo, a Língua Brasileira de Sinais é orgânica, atualizada continuamente, tem a sua gramática, os regionalismos, glossários geracionais e outras particularidades. Um tradutor e intérprete sem experiência no audiovisual no máximo fará um trabalho burocrático. E de quê adianta, num festival de cinema, apenas para cumprir a lei, exibir filmes para cegos e surdos sem equipamentos adequados e em um local que eles não vão, ou sem a mesma dedicação que é dada aos videntes e ouvintes? 

Outro exemplo de timidez:  quase sempre a opção dos produtores é pelo “legalismo” , e não pela qualidade do trabalho e a oportunidade que ele oferece. Assim, é comum encontramos filmes alegres e cheios de ação com uma audiodescrição lenta e fora do tom, e produções com a janela de libras com o recorte mal posicionado e traduções sofríveis. Ora, ainda que as recomendações da ABNT (Associação Brasileira de Nomas Técnicas) sejam um bom ponto de partida, pesquisas recentes e a experiência do público-alvo indicam que desde os anos 2000 a acessibilidade evolui, e já é possível e são muito bem aceitas pequenas variações que aperfeiçoam a ABNT e outras normas de acessibilidade. Assim, quanto melhores forem os resultados das versões para cegos e surdos – avaliados por eles, os consumidores –  como em tudo na vida, mais ressonância o produto ou evento terá. 

A parte boa: sem limites tecnológicos e não custa caro

Agora, a parte boa: cegos e surdos geram uma ótima taxa de engajamento e estão nas redes, não só em nichos. Se gostam do produto, falam e compartilham a informação com muito entusiamo, e alguns publicitários e produtores mais atentos já sabem disso. Outra boa:  atualmente, com as tecnologias existentes, NÃO EXISTE MAIS NENHUMA LIMITAÇÃO para a acessibilidade estar presente e ativa nos cinema, na TV e sobretudo na internet. Ou alguém acha difícil fazer legendas para os surdos naquele vídeo da página da empresa ou da instituição, onde podem estar outros dois, a versão com audiodescrição e a versão com Libras? 

E a parte melhor ainda: os serviços de acessibilidade  NÃO CUSTAM CARO e, se bem feitos, trazem uma excelente relação-custo benefício, desde que sejam pensados e organizados no começo dos trabalhos. Além dos básicos, que são as traduções específicas JÁ PREVISTAS no orçamento, não tem custos adicionais: o filme será o mesmo, com pequenas variações planejadas na mesma cena. Basta que a equipe saiba como fazer, e inclua as atividades na rotina sem precisar criar um departamento específico. E para facilitar a vida de produtores e equipes de comunicação, elaboramos uma pequena oficina sobre o tema – Mostras de Cinema e Eventos com Acessibilidade,  que pode ser encomendada neste link.  Personalizamos, acompanhamos, sugerimos e valorizamos  o seu trabalho, para que você e a sua equipe aprendam sem stress e de uma vez por todas. 

Acreditem, depois de um pouco de informação, as coisas se tornarão bem mais simples e o seu produto falará para cerca de 20 milhões de novos consumidores. 

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